Arquivo de Dezembro, 2007

Tropa de Elite

Sexta-feira, Dezembro 7th, 2007

“O título Tropa de Elite não se refere à tropa de piratas que habitam Brasília e que dizem nos representar, e sim ao excelente longa-metragem que chega às telas depois de ser assaltado violentamente.

Meu nome não é Johnny, é João Guilherme Estrella. Como personagem real do livro escrito por Guilherme Fiúza e de um longa de mesmo nome, que em breve estará nas telonas, fui convidado pelos editores da revista M… a fazer uma crítica de Tropa de elite, sob a ótica de quem já teve que negociar com os hômis, tanto para não ser preso , quanto para sobreviver depois na prisão.

Três pontos me chamaram a atenção, já que o filme se propõe a retratar a realidade. O primeiro ponto é a forma com que as polícias se relacionam e como a Polícia Militar é achincalhada e esculhambada pelo Bope, sendo tratada como um adolescente rebelde ganhando esporro no meio da rua.

As polícias Civil e Militar estão bem piores do que é exposto pelo filme. Eu, como já tive o privilégio de estar mais de uma vez em contato com a polícia, na situação de quem foi pego negociando drogas e passando a negociar a própria liberdade, não consigo crer que alguém do Bope mande um grupo de PMs no pé de um morro, em meio a um tiroteio, ficar quieto e este grupo obedeça.

Apenas para dar um exemplo: estava eu, seqüestrado pela polícia, com dois quilos de cocaína, cheio de armas e granadas dentro de um carro à paisana, negociando liberdade em um restaurante na orla de Copacabana, quando fomos abordados por outro grupo de policiais, chamado pelo dono do estabelecimento, que achava que iríamos assaltar o local. Resumindo, tive que fingir que era policial para que o mal-entendido fosse resolvido e para que o número de policiais a serem pagos não triplicasse, aumentando em muito o valor do meu resgate e impossibilitando essa negociação.

O segundo ponto que chamou a atenção é a forma impecável com que o Bope é retratado em relação à honestidade, de modo que a corrupção não consiga penetrar em sua tão perfeita organização. Acho bastante difícil e fantasioso um grupo com tanto poder não ter nenhum agente contaminado pelo amor ao dinheiro. Acho que o Bope não é essa santidade toda.

Se as nossas polícias são assim, como no filme, sendo elas especiais ou não, é ilícito e desumano, após render as pessoas, atirar em suas pernas ou sufocá-las até sangrarem, para que delatem seus companheiros. E se essas torturas de fato acontecem, não é nada agradável saber que residências são invadidas e pessoas arrancadas para a “guerra”, mesmo sendo a maioria delas inocente.

O último ponto que me saltou aos olhos é o fato de ser atribuída aos jovens das classes mais favorecidas a responsabilidade pela violência. Assunto bastante polêmico. Na minha opinião, se tirarmos as drogas de circulação, teremos um exército de desassistidos armados até os dentes, precisando de dinheiro. Se olharmos por um outro ângulo, podemos dizer que esses jovens ajudam a cidade a ficar mais calma, uma vez que geram receita para o crime , diminuindo, assim, as ondas de seqüestros e assaltos a bancos e evitando confrontos em áreas urbanas. Se acabarmos com o tráfico, para que servirão as armas que guardam as bocas?

Pelo que sei, a prática do assalto precede à do tráfico. E são as armas as maiores estrelas desse show. Poderíamos pensar em, primeiro, acabar com elas.”

Texto escrito por mim, que foi publicado na Revista M (clique aqui para ler e conhecer a revista).

Papo com o Luciano

Domingo, Dezembro 2nd, 2007

Esse é um comentário de um aluno da UniSant´Anna que assistiu o filme e veio falar comigo depois da exibição:

“Boa noite João, tudo bem cara?

Sou o Luciano e faço publicidade na faculdade UniSant´Anna(SP) e, anteontem (2ª feira), na pre-estréia do seu filme, trocamos meia dúzia de palavras sobre seu filme e sobre eu ter me identificado muito com a história do filme, sua história e a música em nossas vidas, que na verdade é o que de muito temos em comum (a única diferença, foram as drogas em sua vida), mas o gosto, o sonho, os cálculos e perspectiva de vida, são todos envolvendo a música (lembrou quem sou???). Poxa, cara, estou aqui pra te falar de verdade mesmo, que você tem e fez um belíssimo trabalho com o filme, que chamou minha atenção pela capacidade de conseguir demonstrar e passar uma série de valores, pensamentos e sentimentos que, particularmente falando, são muito difíceis de me atingir por serem passados apenas por áudio e imagens, mas tudo isso é sensacional mesmo, de verdade, e te dou minha palavra de homem, eticamente comprometendo meu caráter, pra minha idade, cultura, educação, lugar social, gosto etc. Esse filme é com plena certeza o melhor filme nacional, até porque tem um pouquinho de mim ali e isso mexe com a gente e não sei para os outros, mas pra mim você demonstrou ter muito caráter, ética e valores que ninguém nem dinheiro nenhum realmente compra e pra mim isso já faz a diferença e importância. O que me deixou muito feliz, foi o fato de você após o filme abrir um espaço pra nós podermos conversar sobre o filme ou sua história com você, isso chamou muito a atenção pela importância que deram a nós (público) sendo que hoje em dia faz falta pra gente, bacana mesmo da parte de vocês. PARABENS…

Sempre que possível, avise sobre eventos que for fazer em SP, sejam eles quais forem e também, se possível, não perder contato.

Preciso trocar algumas idéias sobre música e produção musical, a música porque tenho minha banda e a produção musical porque há contato com todos os tipos de músicas, timbres, pessoas, lugares etc. E isso é muito loco… ainda mais o fato de estar de aviso prévio em meu emprego e já faz algum tempo que venho planejando com o dinheiro que eu pegar promover algo,mas para isso preciso de luz entende?

JOÃO, ABRAÇO, CARA, E TUDO DE BOM PRA VOCÊ RAPAZ.
MUITO SUCESSO NO FILME E NA VIDA.

>LUCIANO<”

Valeu Luciano!!!
Obrigado por toda a vibração com que vc e seus colegas nos receberam.
Foi realmente maravilhoso.
A sua faculdade nos recebeu com uma energia que até então não havia sentido apesar de sermos muito bem recebidos por onde passamos.
Quanto a música, vamos nos falando e no que eu puder te ajudar…
Te aconselho a continuar ganhando uma grana paralela a musica até vc se estabelecer profissionalmente.
As vezes a musica pode dar retorno rápido e as vezes não.
Grande abraço,
J*